NO ELEVADOR

O elevador é uma invenção impressionante. Na realidade, desde épocas mais remotas se usava uma roldana com uma corda para elevar cargas, que é a ideia básica dos elevadores. Mas o americano Otis foi genial ao incorporar a inovação tecnológica do motor elétrico e conceber o equipamento para transporte de pessoas.

O efeito da invenção foi estupendo: o elevador verticalizou o mundo! Note o leitor que me refiro à capacidade de transformação do invento, sem entrar no mérito se isso foi o melhor para a humanidade. Acho que é uma daquelas invenções tão transformadoras, que torna difícil a gente imaginar como seria a vida sem ela: o mundo horizontal…

No Brasil, o equipamento chegou há pouco mais de 100 anos, tanto que ainda existem muitos prédios baixos sem elevador, normalmente de três andares. É o caso do edifício em que morei durante toda a minha infância e juventude, até uns 27 anos. Nosso apartamento era no segundo andar, pavimento ideal, pois o primeiro ficava muito na rua e, para o terceiro, a escada já pesava um pouco. Garoto novo, nunca tive problemas com o sobe e desce, salvo alguns tombos por descer correndo ou fazer escorrega no corrimão.

Acostumado com as escadas, fui trabalhar numa empresa que ocupava um pequeno prédio de 6 andares. Havia lá um elevador social, porém era de baixa capacidade, cabendo apenas 5 pessoas. Mas este não era o seu pior atributo: além de espaço insuficiente, o equipamento padecia de um cansaço crônico e, muito temperamental, empacava como um jumento em alguma posição e dali só saía com a presença do técnico, que já conhecia suas manhas e o convencia a voltar ao serviço.

Como é comum, a hierarquia da empresa estava instalada de cima para baixo, ou seja, quanto mais alto o andar, mais elevada a posição no organograma. Quando cheguei à empresa, me alocaram no segundo pavimento, ao qual eu, bem treinado em casa, chegava tranquilamente pelas escadas sem sequer acelerar a respiração. As filas do elevador na ocasião eram enormes e eu até ficava feliz de não depender da invenção do Sr. Otis.

Certo dia, fui convidado para participar de uma reunião no sexto andar. Antes, porém, precisei descer ao térreo para receber o material que seria utilizado e, na sequência, entrei na fila do elevador. Aquela monotonia… Quando a porta abria todos se alegravam, mas logo vinha a decepção de dar apenas uns três passinhos à frente. Mais um tempo de espera, que sempre parecia longo, e mais três passinhos.

Até que chegou a minha vez: fui o quarto a entrar e, atrás de mim, um senhor de terno, careca, gordinho, todo perfumado, sapatos brilhando e com uma gravata parecendo um jardim de Burle Marx. Ele entrou e estranhei que olhava o teto do elevador, com um ar de preocupação. A porta fechou e as bocas idem, pois todos conheciam o código penal e sabíamos que tudo que fosse dito poderia ser usado contra nós. O homem provavelmente estava indo ao encontro do presidente da empresa. Grandes negócios…

Feito o cerimonioso silêncio, o visitante apertou o botão do sexto andar, que eu já havia pressionado, mas ele não viu, pois mirava o teto. Tudo transcorria normalmente até a altura do terceiro andar. De repente, o elevador deu uns três saculejos, alguns coices e engasgou entre o terceiro e o quarto andar. O visitante, aparentando nervosismo, olhou para mim:

– O que houve? Por que parou? Ai meu Deus! – disse ele, cada frase em tom crescente de desespero.

– É assim mesmo, senhor. Às vezes dá defeito. – respondi, na maior calma.

– Não se preocupe. Daqui a pouco o pessoal vem nos tirar daqui. – completou outro colega, mais calmo ainda.

Neste curto espaço de tempo eu notei que o homem já suava muito, parecendo uma esponja molhada sendo espremida. A careca porejava como uma chuva fina de dentro para fora. Ele olhou mais uma vez para o teto:

– Não tem ventilação!!! – exclamou, revelando mais aquele defeito do elevador.

Foi nesta hora que eu incorri numa falha imperdoável:

– Senhor, já vão nos tirar daqui. Calma!

A palavra “calma” disparou uma explosão de desespero nele. Abriu os braços e começou a se debater, como um passarinho contra a vidraça, procurando uma saída onde não havia. Aprendi ali a nunca mais pedir calma a quem está nervoso.

Neste exato momento, ouvimos vozes e a porta do elevador se moveu lentamente. Era a equipe de socorro que vinha nos atender. O elevador quebrava tanto que já havia um plantão da manutenção para aquela infeliz rotina.

Quando a porta abriu estávamos na seguinte situação: uma fresta de um palmo em cima nos permitia ver o piso do quarto andar. No meio, a laje entre os andares e abaixo, um espaço maior, suficiente para sairmos e escaparmos daquele alçapão. No terceiro piso estava a equipe para nos retirar.

Tenho certeza de que todos os colegas naquela hora tinham um único pensamento: primeiro sai o visitante!

O homem já suava num ritmo mais brando, mas os olhos ainda revelavam o terror que estava sentindo.

– O senhor sai primeiro, ok? – disse-lhe na maior das boas intenções.

– NÃO! De jeito nenhum. Sai alguém primeiro!!!!

Instintivamente me veio a intenção de pedir-lhe calma. Que coisa! Como incorremos neste erro.

– Ok, ok. Então eu vou, o senhor observa os movimentos e vai quando se sentir à vontade.

Ele assentiu, balançando a cabeça várias vezes, como se o pescoço fosse de mola.

Sentei no chão, passei as pernas para fora e a equipe me retirou com facilidade.

– Vem o senhor agora. É bem tranquilo. – falei, tentando encorajá-lo.

Não deu certo. Ele cedeu a vez e saiu outro colega. Depois mais outro. Ele estava colado na parede do fundo, grudado e gelado como uma lagartixa.

Então alertei em voz baixa ao responsável da equipe:

– O senhor de terno não pode ficar por último. Tem que sair agora.

 O socorrista, muito experiente, dirigiu-se então ao visitante:

– Agora é o senhor, pois assim o colega que ainda está aí pode ajudá-lo a sair.

O homem voltou a suar abundantemente. Vacilante, sentou-se e neste movimento pulou um botão da camisa. Timidamente ele esticou as pernas e entregou-se à remoção. Foi retirado cuidadosa e lentamente, como uma rolha de vinho sendo retirada por um sommelier de classe.

Trouxeram então uma cadeira para acomodá-lo e aguardar que se recuperasse. Veio ainda um copo d’água, verdadeiro bálsamo, após aqueles momentos de desidratação.

Fiquei observando: quanta diferença em relação ao momento que chegou. O que o invento de Otis fez com ele… O perfume o abandonara, a calça suja nos fundilhos, a camisa sem o botão perdeu toda a compostura e o jardim de Burle Marx, agora frouxo no colarinho, virou mato. Notei a respiração normalizando aos poucos e quando achei que ele já estava melhor, perguntei:

– Eu estou indo para o sexto andar. O senhor quer ir comigo?

– Não quero mais nada. Por favor, me leve até a saída!

Descemos os três andares bem devagar e levei-o até a porta da empresa. No caminho, indaguei se queria que fosse dado algum recado, mas ele dispensou. Queria apenas ir embora dali e provavelmente nunca mais voltar! Um simples elevador impediu-o ter um bom contato e talvez um ótimo contrato.

Na volta, os comentários sobre o ocorrido eram enriquecidos com opiniões “especializadas”:

– É claustrofobia!

– Que nada, síndrome do pânico.

– Pode ser problema respiratório.

– Vai ver tem medo de elevador, como quem tem medo de avião.

Até hoje não tenho certeza sobre as causas do comportamento daquele senhor, mas fiquei imaginando quantos dramas ele ainda teria que enfrentar para seguir em frente neste mundo verticalizado e infestado de elevadores.

O episódio me fez pensar que nossos medos, patológicos ou não, conscientes ou não, podem nos impedir de subir ao encontro daquilo que queremos e sonhamos. Os medos habitam em nós como verdadeiras âncoras invisíveis…

Antonio Carlos Sarmento

 

PS: Caro leitor, neste domingo o site Crônicas e Agudas completa 1 ano no ar.  Tivemos mais de 1.000 visualizações por mês neste primeiro ano, número que muito nos alegra e motiva.

Para marcar a data, inauguramos a aba “Opinião dos Leitores”. Passe lá para ver e, se desejar também opinar, pode enviar sua mensagem na aba “Contato”.

Seguiremos publicando, sempre aos domingos. Muito obrigado por acompanhar e comentar as crônicas!

 

44 comentários em “NO ELEVADOR”

  1. Parabéns por mais uma otima crônica. Essa foi bem “Freudiana” tratando da questão das fobias que todos temos de alguma forma. Na Cia que trabalhamos tinhamos um amigo, chefe da segurança, o Salgado, que nao andava de elevador de jeito algum. E qdo tinha reunião na presidencia, no ultimo andar do predio, subia e descia de escadas. Lembra-se? Bom domingo, Deus te abençoe E se cuide.

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    1. Luigi,
      Lembro bem do Salgado. Se não me engano, era o pai da Isabel, estrela do volei.
      Mas não lembrava que ele não usava os elevadores. Com o seu comentário isto me voltou à lembrança.
      Bons tempos!!!
      Um grande abraço meu amigo e fique com Deus!

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  2. Antonio Carlos:

    Vocês esqueceu de dizer que o referido elevador era daqueles equipados com portas pantográficas, que só se abriam ou fechavam mediante acionamento de um dos passageiros.

    Bom domingo e felicidades.

    Sds.

    Carlos Vieira Reis

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    1. Amigo Carlos,
      Aí você voltou ainda mais no tempo. É isso mesmo: portas pantográficas…
      Hoje em dia a gente digita o andar num painel e ele informa qual elevador devemos pegar, não sendo mais necessário apertar botões no interior do mesmo. Muita tecnologia!
      Felizes somos nós que assistimos todo este avanço.
      Grande abraço, meu amigo!

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  3. Achei que no desfecho a reunião era contigo. 🤭 tadinho… É um drama mesmo essas situações. Ainda bem que hoje em dia, através da psicologia, temos mais recursos pra lidarmos com essas emoções. 🧡

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  4. Excelente crônica.
    O medo, não é ruim quando não é uma doença, por vezes até nos leva a fugir de algumas situações que poderiam se tornar complicada …no caso do homem do elevador, aí sim, esse medo é ruim deve ser investigado.
    O fechamento da crônica vale ouro, quantos não alcançam sucesso em virtude do medo, até o medo ,por exemplo , de receber um não, é aí perdem uma chance que poderia ser a porta que estavam esperando….
    Crônica excelente, digna de ser lida e relida diversas vezes.
    Valeu Cacau!

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  5. Muito boa essa crônica sobre elevadores, destaca muito bem a importância desse meio de transporte vertical e sua interações com o cotidiano dos usuários. Me fez lembrar minha cunhada que tem pânico de elevador.
    Parabéns amigo pelo primeiro ano de excelente publicações , já me habituei a ler todos os domingos suas crônicas.
    Parabéns

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  6. Como sempre muito boa! Parabéns pelo primeiro ano de crônicas de muitos anos que virão a nos presentear com estórias maravilhosas e super bem contadas.
    Quanto a estória em questão eu já fiquei preso inúmeras vezes e sou grato por não ter esse medo. Já vi, como esse senhor, pessoas se desesperar em e é impressionante a velocidade com que isso aconteceu.

    Quanto a reflexão é realmente interessante, pois o medo pode nos ajudar muito numa situação de perigo, contudo pode nos paralisar e nos fazer perder experiências incríveis.

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  7. Gostei bastante da narrativa, inclusive conseguiu prender minha atenção até o fim. Sou do tipo que, no primeiro parágrafo de qualquer texto, decide se continua ou não, ou seja, tem que despertar o interesse, e essa crônica me chamou a atenção desde o primeiro momento. Também já tive a experiência de ficar presa em elevadores, mas não por muito tempo, e nenhum trauma quanto a isso. Parabéns pela crônica e pelo tempo que se dedica ao blog! Um brinde a isso! Tim Tim

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  8. Parabéns pelo primeiro ano de excelentes crônicas!
    Obrigada por nos presentear com seu talento todos os domingos com leituras leves que nos fazem refletir sobre algo importante em nossa vida.
    A de hoje, em especial, nos mostra como precisamos estar atentos aos nossos medos e como devemos enfrentá-los para não perdermos grandes oportunidades.
    Desejo muitos anos de publicação dessas boas crônicas!
    Sua fã número 1!

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  9. Amigo.
    Começou bem o segundo ano de crônicas. Muito boa. Não gostei apenas da referência aos carecas evidenciando flagrante descriminação…
    Escolhi dois momentos de seus deliciosos comentários adicionais.
    O primeiro se referindo a gravata do gordinho que parecia mais enfeitada de os jardins de Burle Marx e o segundo o cuidado em retirar o mesmo gordinho como um Sommelier ao retirar a rolha…
    Parabéns querido amigo. Bom Domingo.

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    1. Meu amigo Nei,
      Não discrimino os carecas, tanto que um dos amigos que adoro tem exatamente esta característica…
      Obrigado por seus sempre bem humorados comentários. Você é um apreciador das metáforas e este é mais um ponto comum entre nós.
      Grande abraço!

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  10. Parabéns por mais esse presente de cada domingo e que se repitam por mais muitos anos.
    Esse primeiro ano mostra que o projeto deu bons resultados graças ao talento e persistência do seu idealizador.
    Quanto as inovações tecnológicas que facilitam o cotidiano das urbes, a provação dos seus primeiros usuários deveria ser recompensada com prêmios ao mérito.
    Passei, no início da década de 80 com algo semelhante, ao me deparar com helicópteros para chegar ao trabalho em plataformas de exploração de petróleo.
    As consequências eram bem mais desastrosas e a ansiedade antes de cada vôo algo que foge a compreensão dos leigos neste tipo de transporte.
    Enfim, escolheste um ótimo tema que no meu entendimento abrange todas as adaptações da vida urbana.
    Um abraço.

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  11. Parabéns querido Irmão pelo primeiro ano de crônicas.
    Aos domingos amanheço já curiosa com o tema, sempre interessante, inteligente e leve. Tenho apreciado e me sensibilizado em recordar muitos dos fatos.
    Sucesso crescente, meu escritor predileto!

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    1. Meu caro irmão!!!
      Nós já incorporamos as leituras de suas deliciosas crônicas a hora do cafezinho após os almoços de domingo. Têm sido nossa sobremesa. Não engordam e muitas vezes até emagrecem pelas gargalhadas que proporcionam. Hoje a Anna e a Vivianne muito se divertiram ao visualizaram as cenas descritas com a costumeira competência que com orgulho constatamos. Destaco sua observação no segundo parágrafo quanto a não entrar no mérito da descoberta do Otis.
      Como quase tudo na vida, existem aspectos positivos e negativos. Nós dois, que dedicamos boa parte de nossa vida profissional aos transportes públicos, sabemos que a verticalização proporcionada pelos elevadores tem produzido concentrações populacionais gigantescas em pequenas áreas. Assim a dificuldade de locomoção é agravada. Grandes congestionamentos de tráfego, muita emissão de gases prejudiciais à saúde, perda significativa de tempo inútil, altos custos para construção de viadutos, metrôs etc. Com isto comprometendo a qualidade de vida em diversas cidades no mundo. Acreditamos que na época da descoberta do elevador estes aspectos não mereceram os estudos devidos. Mas enfim, cabe a reflexão para outros descobertas que virão.
      O fundamental no momento é a relevância de suas maravilhosas crônicas que além de nos divertir, também possibilitam reflexões que poderão ajudar em um planejamento mais adequado das cidades e na melhor organização da vida de futuras gerações. Aceite nossa admiração.
      Parabéns meu Irmão!!! Pelo primeiro ano deste belo trabalho rumo a Academia Brasileira de Letras.

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      1. Meu querido irmão Wellington,
        Nem tenho como agradecer tanta gentileza e elogios.
        Fico realmente feliz de saber que já fizeram da leitura das crônicas, um hábito dos domingos, que pede uma leitura agradável.
        Por isto, desde o início desejei escrever “Histórias leves e curtas, para divertir e fazer pensar”.
        Beijos carinhosos para vocês!

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  12. Caro Amigo, Muito bom dia, Esta crônica de hoje e me fez voltar no tempo, há coisa de 60 anos ou mais, minha mãe precisou ir ao Edifício A Noite, na Praça Mauá e, me levou . . . Ao sairmos do prédio algum tempo depois, o seus braços estavam roxos de tanto que foram, por mim, apertados . . . Naquele tempo, aquele prédio possuía um conjunto de elevadores dos mais modernos da cidade, que faziam os percursos e traziam agonia àquele menino, em segundos . . . imagina. Recomendações à Sonia e a toda a família.

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    1. Caro amigo JH,
      Trazer a você uma lembrança da infância e da sua mãe é um presente para mim.
      A leitura tem esta virtude de estimular nossa imaginação e memória.
      Eu mesmo, ao escrever, venho me recordando de coisas que nem sabia que ainda registradas nas minhas lembranças…
      Um grande abraço à você, Sueli e os meninos…

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  13. Antonio Carlos, parabéns pelo primeiro aniversário das Crônicas e Agudas. Todas prendem minha atenção, são situações e relatos que algum dia vivenciamos, me sinto inserido nas narrativas. Muito boas. Não é discriminação dizer que o senhor apavorado era careca, como disse nosso querido amigo professor…kkk. nós todos em algum momento também ficaremos carecas, uns mais outro menos. Abraço

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    1. Caro Edgar,
      Muito obrigado!!!
      Fico contente de saber que identifica com as leituras e que o fazem recordar situações já vividas.
      Agradeço os elogios e a gentileza de seu comentário.
      Quanto ao Professor, já respondi a ele… hahahaha
      Grande abraço!

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  14. Belíssima reflexão que nos levam a pensar nos nossos medos e tão quanto a importância de nos “horizontalizarmos”….
    Parabéns que venham os próximos anos de muita leitura.

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  15. Parabéns pelo primeiro ano!!
    Fico feliz de participar desse clube de leitores fiéis que desfrutam de textos divertidos e inteligentes.
    Você, querido cronista, vai fazer parte da história de cada um de nós. Num futuro, não tão longe, quando descrevermos esse periodo triste de confinamento para nossos netos, citaremos suas crônicas como um refrigério em meio às noticias tristes e sombrias que o jornalismo nos oferecia todos os dias.
    A narração de hoje , especialmente, me fez lembrar de uma mensagem que enviamos a um hotel muito bem recomendado em Paris, perguntando se havia elevador. A resposta positiva, veio com uma observação: ele pára entre dois andares. Desvenda essa, poeta! Sera que as pessoas saem dele como rolhas do melhor vinho francês, retiradas por um sommelier de classe? Hehehe!!!
    Beijo

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    1. Querida prima Gena,
      Me fez lembrar que certa vez deixei um par de sapatos, que não queria mais, num hotel em Paris. Quando cheguei no destino seguinte, o par de sapatos estava lá, remetido pelo hotel, achando que eu havia esquecido…
      Imagina, a retidão do hotel ao revelar em mensagem a deficiência de seu elevador.
      Mais um motivo para você e Rosangela fazerem a sonhada viagem!
      Beijos prima e muito obrigado por acompanhar as crônicas desde o início e oferecer sempre seus deliciosos comentários!

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  16. Cacau, depois da emoção compartilhada em “O Menino”, mamãe tomou a iniciativa de enfrentar o novo desafio da leitura, que já havia despertado curiosidade pelo título, e disse entusiasmada: “Vou ler a crônica do Cacau!” De fato, ela teve êxito, chegando até ao final da história, mas não sem fazer diversas escalas provocadas pelas incontroláveis gargalhadas que o texto nos proporcionou. Naquele instante, só consegui rir pelo jeito engraçado que você tem de contar as coisas – precioso talento!

    Pensando sobre a narrativa, o medo faz parte das fragilidades humanas. Estas podem variar de pessoa para pessoa, por motivos diversos, inclusive de saúde, que nem sempre são bem compreendidos pelos outros.

    Entretanto, o que me chamou a atenção nesta crônica foi a sua maneira de tratar aquele senhor, observando-o desde o momento de entrar no elevador. Quando o elevador parou, ele olhou para você, buscando uma resposta para a aflição que sentiu diante daquele susto. Embora não tendo conseguido acalmá-lo totalmente, você procurou fazer o que estava ao seu alcance para abrandar o sofrimento estampado no semblante do visitante: mostrou-lhe como deveria fazer para escapar dali, pediu discretamente ao socorrista para ter um cuidado especial com ele, não o deixando sair por último, e aguardou ele se recuperar para saber se o acompanharia até o 6.° andar.
    Vocês precisariam subir três andares para chegar à reunião. Mas, depois, como ele faria para sair do prédio? De elevador? Nem pensar! Ele preferiu descer três andares, pedindo, por favor, que você o levasse até a saída, sem querer deixar qualquer recado, pois estava profundamente abalado.

    Acredito que, em outras situações difíceis, a sua solidariedade ficou na lembrança daquele senhor. Para mim, esse foi o ponto alto da história, que também deve ter sido gratificante para você.

    Parabéns, Cacau, pelo aniversário de 1 ano das suas crônicas! Que Deus te abençoe e inspire sempre!

    Beijos nossos para você e a Sônia!

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    1. Oi Nani,
      Seu comentário é sempre muito gentil e recheado de detalhes interessantes.
      A incompreensão dos nossos medos por outras pessoas é, de fato, uma realidade.
      Interessante que lhe chamou a atenção o aspecto da solidariedade, embora não estivesse o foco da crônica. Mas a sua sensibilidade captou!
      Obrigado por comentar e acompanhar os textos dominicais.
      Um beijo carinhoso!!

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  17. O primeiro a gente nunca esquece. Parabéns pelo primeiro ano. Que venham o segundo, o terceiro e infinitos anos. Sempre estamos esperando com muita satisfação suas crônicas inteligentes e reflexivas. Que suas crônicas subam sempre para o sucesso, de escada ou de elevador. O importante é elas estarem no lugar mais alto e tenho a certeza que todos nós leitores queremos ver você feliz e sempre com intuição para escrever sobre o nosso social, familiar na forma de humor e reflexão. Obrigado por suas crônicas.
    Abraços

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    1. Caro Nelson,
      Agradeço os parabéns e mais ainda os elogios.
      É muita bondade sua!
      Seus comentários são sempre inteligentes e sensíveis. E ainda utilizam partes da crônica para ilustrar.
      Muito obrigado por acompanhar as crônicas e ainda dar-se ao trabalho de sempre fazer um interessante comentário.
      Um grande abraço!

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